E o esplendor dos mapas
"E o esplendor dos mapas, caminho abstracto para a imaginação concreta" - Álvaro de Campos eoesplendor@hotmail.com
Segunda-feira, Outubro 31, 2005
Domingo, Outubro 30, 2005
Sábado, Outubro 29, 2005
Sexta-feira, Outubro 28, 2005
Post-scriptum
Já depois de ter resolvido fechar o blogue, chegou-me às mãos um CD-ROM com fotografias tiradas durante a minha viagem à Tanzânia. Decidi publicar um post-scriptum com as imagens e legendas. O meu primeiro objectivo era subir ao topo do Quilimanjaro e já sabemos que me fiquei pelos cinco mil metros. Esta é a crónica de uma derrota anunciada e da convicção de que, como escreveu Camus, «A própria luta para atingir os píncaros basta para encher um coração de homem. É preciso imaginar Sísifo feliz.»Sábado, Outubro 22, 2005
Sexta-feira, Outubro 21, 2005
Um ano na blogosfera
Faz hoje um ano que iniciei este blogue. Um arranque precipitado pela urgência de escrever: primeiro vieram os textos, depois mais texto e mais texto. Só para o final de Dezembro é que inseri um «sitemeter» e demorei largos meses antes de aprender a inserir imagens.
O blogue permitiu-me escrever textos que de outro modo nunca teriam passado de vagas ideias; construir uma memória neste meio aparentemente tão efémero e «virtual» face a acontecimentos públicos e vivências privadas; comunicar.
Este último aspecto é o que suscita agora mais reflexões. Os meus postes têm dado origem a discussões «off blogs» com as pessoas que me conhecem, mas os comentários são parcos nas caixas respectivas. Consolo-me com as conversas a posteriori e a observar a origem dos países dos visitantes no «site meter». Recordo o dia em que, depois de ter escrito um poste a criticar George W. Bush, deparei, divertido, com a indicação de um visitante oriundo dos EUA (Gov). É possível que me escapem referências de outros blogues ao meu por desconhecimento técnico da minha parte. Sei que há uma coisa chamada technorati mas não a pratico e só por acaso ou aviso tenho visto links para «E o Esplendor...».
Encaro o caminho percorrido com leveza. Sinto vontade de partir para outra. Criar um novo blogue, com outro mote e nome de uma só palavra. Quando contei a outras pessoas que ia entrar sozinho na blogosfera contaram-me exemplos de quem tinha enveredado pelo mesmo caminho e logo se arrependesse, juntando-se a outros bloguistas. Um ano depois desconfio que, mesmo que viesse a participar num blogue colectivo, manteria o meu canto solitário mas não isolado na internet, escrevendo como quem experimenta e esboça textos a lápis num caderno.
O blogue permitiu-me escrever textos que de outro modo nunca teriam passado de vagas ideias; construir uma memória neste meio aparentemente tão efémero e «virtual» face a acontecimentos públicos e vivências privadas; comunicar.
Este último aspecto é o que suscita agora mais reflexões. Os meus postes têm dado origem a discussões «off blogs» com as pessoas que me conhecem, mas os comentários são parcos nas caixas respectivas. Consolo-me com as conversas a posteriori e a observar a origem dos países dos visitantes no «site meter». Recordo o dia em que, depois de ter escrito um poste a criticar George W. Bush, deparei, divertido, com a indicação de um visitante oriundo dos EUA (Gov). É possível que me escapem referências de outros blogues ao meu por desconhecimento técnico da minha parte. Sei que há uma coisa chamada technorati mas não a pratico e só por acaso ou aviso tenho visto links para «E o Esplendor...».
Encaro o caminho percorrido com leveza. Sinto vontade de partir para outra. Criar um novo blogue, com outro mote e nome de uma só palavra. Quando contei a outras pessoas que ia entrar sozinho na blogosfera contaram-me exemplos de quem tinha enveredado pelo mesmo caminho e logo se arrependesse, juntando-se a outros bloguistas. Um ano depois desconfio que, mesmo que viesse a participar num blogue colectivo, manteria o meu canto solitário mas não isolado na internet, escrevendo como quem experimenta e esboça textos a lápis num caderno.
Quinta-feira, Outubro 20, 2005
A candidatura «previsível e eficaz»
António José Teixeira considerou, na TSF, que a apresentação da candidatura de Cavaco Silva era «previsível e eficaz». Resta acrescentar que parte dessa eficácia se deveu aos jornalistas presentes na conferência. Eu não percebo como é que o candidato a Chefe Supremo das Forças Armadas e a representante de Portugal perante os Estados estrangeiros não tem uma palavra a dizer, no actual contexto, sobre Segurança ou Relações Internacionais. Percebo ainda menos que nenhum jornalista o faça quebrar o silêncio.
Candidaturas paradoxais
As candidaturas de Mário Soares e de Cavaco Silva vivem de um paradoxo na relação com os respectivos partidos de origem. Mário Soares, que foi, durante dez anos, «Presidente de todos os portugueses» e, por igual período de tempo, Presidente de uma Fundação, lança a sua candidatura no bojo de um partido enredado em intrigas e polémicas em torno da questão presidencial. Cavaco Silva, que não teve intervenção político-cívica de relevo fora do partido e do Governo por ele liderados, consegue apresentar uma candidatura «a título pessoal», permitindo-se o gesto de suspender temporariamente a sua filiação partidária. Quem continua a ver nele apenas um tecnocrata é porque sucumbiu à sua retórica e se deixou iludir por um grande actor do teatro político.
A esperança incerta
Hoje à noite Cavaco Silva «quebra o tabu» anunciando a sua candidatura em nome «da estabilidade e da esperança». Resta saber que esperança é esta. Só o mais brilhante cronista português, Vasco Pulido Valente, este ano já viu em Cavaco «o novo João Franco», uma reedição do General De Gaulle e um simples «bom aluno». Em relação a quem nunca se engana e raramente tem dúvidas é uma esperança muito incerta.Terça-feira, Outubro 18, 2005
As aves de Sá de Miranda
«O sol é grande, caem co´a calma as aves,
do tempo em tal sazão, que soe ser fria;
esta água que d´alto cai acordar-me-ia
do sono não, mas de cuidados graves.
Ó cousas, todas vãs, todas mudaves,
qual é tal coração qu´em vós confia ?
Passam os tempos, vai dia trás dia,
Incertos muito mais que ao vento as naves.»
Do soneto de Sá de Miranda, escritor do século XVI, in ANDRADE, Eugénio, Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa, Porto, Campo das Letras, 2001, pág. 124.
do tempo em tal sazão, que soe ser fria;
esta água que d´alto cai acordar-me-ia
do sono não, mas de cuidados graves.
Ó cousas, todas vãs, todas mudaves,
qual é tal coração qu´em vós confia ?
Passam os tempos, vai dia trás dia,
Incertos muito mais que ao vento as naves.»
Do soneto de Sá de Miranda, escritor do século XVI, in ANDRADE, Eugénio, Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa, Porto, Campo das Letras, 2001, pág. 124.
Domingo, Outubro 16, 2005
As aves da morte
Até ler hoje o editorial de Nuno Pacheco no «Público», que cita «Os Pássaros» de Hitchcock, ainda não tinha percebido os contornos da angústia por causa de uma eventual «gripe das aves». Feitas as contas, morreram pouquíssimas pessoas desde os primeiros sinais da gripe, em 1997. E as que morreram estiveram em contacto directo com aves doentes. Teme-se um vírus que ainda não existe e pode nunca vir a existir, um vírus capaz não só de ser transmitido de ave a pessoa, mas também de pessoa a pessoa. As fobias da administração Bush explicam em parte o fenómeno: foram apanhados de surpresa pelo Katrina e não querem mostrar-se negligentes perante outra catástrofe natural. Eu desconfio um bocadinho destas paranóias vindas do outro lado do Atlântico. Michael Moore mostrou num dos seus documentários como os meios de comunicação social norte-americanos falaram insistentemente de uma vaga de «abelhas africanas» que podia invadir o país a partir do México. E bem me lembro do famoso «bug» do ano 2000, que poderia apanhar populações inteiras em armadilhas informáticas. Qual a fronteira entre o delírio e o perigo real ? Não posso, obviamente, responder a esta pergunta, mas não tenho dúvidas de que o êxito mediático da «gripe das aves» se deve aos mais sombrios recantos do imaginário humano: a morte caindo do céu, como um castigo divino.
Já que se cita «Os Pássaros» de Hitchock, transcrevo de seguida um trecho do diálogo entre o grande realizador e François Truffaut sobre o filme:
«P. – Desde 1945, quando se fala no fim do mundo, pensa-se evidentemente, na bomba atómica. É inesperado substituir a bomba por milhares de aves...
R.- É por isso que o cepticismo em relação à catástrofe possível é expresso pela velha mulher, a ornitóloga; é uma reaccionária, uma conservadora, incapaz de acreditar que uma coisa grave possa acontecer através das aves.
P. – Fez bem em não fornecer o motivo da acção agressiva das aves. O filme é nitidamente uma especulação, uma fantasia.
R. – Era assim que eu via as coisas.
P. – Suponho que a ideia das aves que agridem as pessoas no campo foi inspirada a Daphné du Maurier por acontecimentos reais.
R. – Sim, acontece de vez em quando devido a uma doença das aves, muito precisamente a raiva; mas era demasiado horrível mostrar isso no filme, não acha ?»
Já que se cita «Os Pássaros» de Hitchock, transcrevo de seguida um trecho do diálogo entre o grande realizador e François Truffaut sobre o filme:
«P. – Desde 1945, quando se fala no fim do mundo, pensa-se evidentemente, na bomba atómica. É inesperado substituir a bomba por milhares de aves...
R.- É por isso que o cepticismo em relação à catástrofe possível é expresso pela velha mulher, a ornitóloga; é uma reaccionária, uma conservadora, incapaz de acreditar que uma coisa grave possa acontecer através das aves.
P. – Fez bem em não fornecer o motivo da acção agressiva das aves. O filme é nitidamente uma especulação, uma fantasia.
R. – Era assim que eu via as coisas.
P. – Suponho que a ideia das aves que agridem as pessoas no campo foi inspirada a Daphné du Maurier por acontecimentos reais.
R. – Sim, acontece de vez em quando devido a uma doença das aves, muito precisamente a raiva; mas era demasiado horrível mostrar isso no filme, não acha ?»
Hitchcock. Diálogo com Truffaut, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1987, pág. 211.
Sábado, Outubro 15, 2005
Irredutíveis
A tradição já não é o que era e ontem dei pela publicação do novo álbum do Astérix numa estação de gasolina. Quando o ler talvez não pense que doidos como os romanos são os adultos, os nazis que ocuparam a França no século XX, alguns maníacos burocratas de Bruxelas, mas sim os membros da administração Bush. E no entanto, apesar de todas as mudanças, algo permanece. Obélix e Astérix continuam hoje vivos como no coração da nossa infância. Irredutíveis.Quinta-feira, Outubro 13, 2005
Obrigado Amarante (II)
Quem reparar no anúncio que saiu hoje na página 57 do «Público» com a mensagem «Obrigado Amarante» pode interrogar-se se existe alguma relação entre o anúncio e o meu poste. A resposta é afirmativa. Segui as eleições autárquicas pela televisão, com um grupo de amigos na casa dos vinte e dos trinta, de formações muito variadas (Matemática, Física, Biologia, Farmácia, História, Ciências Políticas). Muitos de nós estamos a fazer ou já concluímos mestrados e doutoramentos. Já nos tínhamos reunido durante as eleições legislativas e festejado a erradicação da dupla Santana Lopes-Paulo Portas do Governo.
Desta vez o processo era o mesmo – um jantar volante e discussão acerca da cobertura televisiva – mas o espírito muito diferente. Era a noite do triunfo dos «candidatos arguidos», forma eufemística de referir os candidatos acusados pelo Ministério Público de terem roubado: Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro, Isaltino Morais. O povo parecia dizer «esta cambada é toda a mesma, pelo menos estes roubam, mas deixam-nos comer um bocado do bolo» ou «quanto mais roubas mais gosto de ti». Surgiu então a ideia (não fui eu que a tive) de publicar o anúncio a dizer «Obrigado Amarante», a terra que mandou à fava o «candidato arguido» Ferreira Torres. Em Amarante mandam portugueses livres.
Desta vez o processo era o mesmo – um jantar volante e discussão acerca da cobertura televisiva – mas o espírito muito diferente. Era a noite do triunfo dos «candidatos arguidos», forma eufemística de referir os candidatos acusados pelo Ministério Público de terem roubado: Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro, Isaltino Morais. O povo parecia dizer «esta cambada é toda a mesma, pelo menos estes roubam, mas deixam-nos comer um bocado do bolo» ou «quanto mais roubas mais gosto de ti». Surgiu então a ideia (não fui eu que a tive) de publicar o anúncio a dizer «Obrigado Amarante», a terra que mandou à fava o «candidato arguido» Ferreira Torres. Em Amarante mandam portugueses livres.
Segunda-feira, Outubro 10, 2005
Quinta-feira, Outubro 06, 2005
Ao(à) leitor(a) turco(a)
A última vez que examinei o «queijo» «organização» do «sitemeter», um por cento dos visitantes do meu blogue provinha da Turquia. Já me tinha apercebido que, ocasionalmente, tenho leitores (ou leitoras) daquele país. É a eles que me dirijo.
Antes de mais para pedir desculpa pela atitude da Áustria, gesto de má fé negocial, que fragiliza a credibilidade da União Europeia e nos devia envergonhar a todos. Não foi um golpe apenas no sonho europeu da Turquia. Os europeus que fazem questão de discutir os problemas colocados pela entrada deste país na União Europeia viram a sua posição manchada pela suspeita de que os seus argumentos são uma máscara do seu racismo.
Em segundo lugar (mas não menos importante) para me congratular com a viragem histórica que representou o início formal das negociações de adesão da Turquia à União Europeia. Num tempo em que o fantasma das cruzadas ressurge na sua face mais violenta, é de assinalar que nem sempre a História teime em se repetir e os políticos ousem avançar para um futuro diferente, em que os meios justificados pelos fins são a paz e não a guerra.
Os diversos comentadores têm esquecido os benefícios que a Turquia pode trazer à União Europeia. E não me refiro apenas aos aspectos económicos. O vosso país soube lidar com um problema com o qual a Europa nunca se defrontou no passado e não consegue resolver no presente: como é que um Estado moderno, laico e democrático se relaciona com uma população islâmica ? Sublinhe-se que a globalização tornou este problema incontornável. E que os conflitos em França e na Holanda vêm mostrar que as respostas dos Estados europeus são insuficientes. A Turquia possui um autoridade preciosa nesta área. Li num jornal que um fundamentalista islâmico move-se com mais à vontade na Alemanha do que no vosso país.
Mas se a Europa tem de aprender com a Turquia para lidar com os islâmicos, a Turquia também tem de assimilar valores europeus para se integrar no nosso espaço. A integração do vosso país não pode significar apenas a possibilidade de um senhor de fato e gravata, com bigode, fazer negócios ou de um trabalhador musculado e moreno se deslocar pela Europa protegido por um passaporte da União. Quando a Turquia entrar na Europa, não poderão ficar na fronteira os sonhos dos arménios de não serem discriminados, os sonhos das mulheres de se emanciparem e os sonhos dos jovens de gozar de uma maior liberdade.
Antes de mais para pedir desculpa pela atitude da Áustria, gesto de má fé negocial, que fragiliza a credibilidade da União Europeia e nos devia envergonhar a todos. Não foi um golpe apenas no sonho europeu da Turquia. Os europeus que fazem questão de discutir os problemas colocados pela entrada deste país na União Europeia viram a sua posição manchada pela suspeita de que os seus argumentos são uma máscara do seu racismo.
Em segundo lugar (mas não menos importante) para me congratular com a viragem histórica que representou o início formal das negociações de adesão da Turquia à União Europeia. Num tempo em que o fantasma das cruzadas ressurge na sua face mais violenta, é de assinalar que nem sempre a História teime em se repetir e os políticos ousem avançar para um futuro diferente, em que os meios justificados pelos fins são a paz e não a guerra.
Os diversos comentadores têm esquecido os benefícios que a Turquia pode trazer à União Europeia. E não me refiro apenas aos aspectos económicos. O vosso país soube lidar com um problema com o qual a Europa nunca se defrontou no passado e não consegue resolver no presente: como é que um Estado moderno, laico e democrático se relaciona com uma população islâmica ? Sublinhe-se que a globalização tornou este problema incontornável. E que os conflitos em França e na Holanda vêm mostrar que as respostas dos Estados europeus são insuficientes. A Turquia possui um autoridade preciosa nesta área. Li num jornal que um fundamentalista islâmico move-se com mais à vontade na Alemanha do que no vosso país.
Mas se a Europa tem de aprender com a Turquia para lidar com os islâmicos, a Turquia também tem de assimilar valores europeus para se integrar no nosso espaço. A integração do vosso país não pode significar apenas a possibilidade de um senhor de fato e gravata, com bigode, fazer negócios ou de um trabalhador musculado e moreno se deslocar pela Europa protegido por um passaporte da União. Quando a Turquia entrar na Europa, não poderão ficar na fronteira os sonhos dos arménios de não serem discriminados, os sonhos das mulheres de se emanciparem e os sonhos dos jovens de gozar de uma maior liberdade.
Quarta-feira, Outubro 05, 2005
Amores feiticeiros
«- Sou como uma planta, se não me regares eu murcho. Preciso que me regues de palavras e de frases que contem uma história. Só serei tua se a história mexer comigo, se me fizer verter lágrimas. Se o conseguires, entrego-me a ti de corpo e alma. Como diz o poeta: “Há flores a que chamamos amores-perfeitos/Colhi algumas que me cresciam nos sonhos”.
- Senão ?
- Senão, mato-te !»
JELLOUN, Tahar Ben, Amores Feiticeiros, Lisboa, Cavalo de Ferro Editores, 2005, pág. 123.
- Senão ?
- Senão, mato-te !»
JELLOUN, Tahar Ben, Amores Feiticeiros, Lisboa, Cavalo de Ferro Editores, 2005, pág. 123.
Segunda-feira, Outubro 03, 2005
Soneto ao eclipse
e surpreendeu os distraídos com frio,
um esbatimento da luz solar,
um piscar de olhos no rosto da manhã.
Outros saíram à rua com óculos
de protecção, já avisados por rádios,
televisões, jornais, net, professores,
físicos e astrónomos amadores.
Crie o poema a conexão
entre o eclipse e a suspensão
da humana e vital respiração.
Ou entre a dança do sol e da lua
e a mudança do aspecto do mundo
por uma luz tingida de doçura.
Domingo, Outubro 02, 2005
O riso ou a loucura
A campanha autárquica tem despertado em algumas pessoas o sentido de humor e noutras a violência extrema. Hoje de manhã um tipo disparou sobre uma caravana do PS, ferindo quatro pessoas. A notícia diz que tinha perturbações mentais. O homem que matou a tiro de caçadeira o presidente de uma Junta de Freguesia próxima de Trancoso também não devia gozar de grande saúde mental. Mas a loucura é uma explicação fácil. Sempre houve loucos em Portugal e não me lembro de uma campanha eleitoral tão violenta. Será assim tão nítida a linha de separação entre o disparo e o insulto ? Há um desespero, uma violência latente nesta campanha que é inquietante. Catarse por catarse, façamos a do riso. Por exemplo, no blogue «Autárquicas em Cartaz», que tem sido a minha fonte de imagens desta campanha.







