E o esplendor dos mapas

"E o esplendor dos mapas, caminho abstracto para a imaginação concreta" - Álvaro de Campos eoesplendor@hotmail.com

Nome: João Miguel Almeida
Localização: Lisboa, Portugal

Quarta-feira, Novembro 30, 2005

Entre as nuvens

Acima de nós, nuvens ocultando os cumes do Quilimanjaro. Abaixo de nós, um manto de nuvens cobrindo a floresta tropical. A montanha parece flutuar no céu azul claro.

Terça-feira, Novembro 29, 2005

Para além das nuvens

Como num passe de mágica, o pico Uhuru evapora-se. Parece jogar às escondidas com os montanhistas, esses minúculos pontos móveis subindo a espinha de um dragão petrificado.

Sábado, Novembro 26, 2005

Acordar no Quilimanjaro

O passeio pelo carreiro bem traçado na floresta parecia um roteiro turístico não muito diferente dos que são possíveis em Portugal - excepto o excesso de humidade e de lama. No dia seguinte, já não era possível qualquer ilusão. Estávamos na mais imponente montanha de África.

Uhuru resplandecente

O primeiro acampamento da rota Machame. Antes que anoitecesse, as nuvens descobriram o pico Uhuru, que resplandeceu sob os últimos raios solares.

Moorland

Pouco a pouco a floresta tropical vai cedendo lugar ao segundo tipo de paisagem, característico da montanha entre os 2800 e os 4000 metros de altitude. O termo inglês é «moorland». Gosto desta palavra com sabor a nevoeiro e filmes de Fritz Lang. Aceitam-se informações sobre a correcta tradução em português.

O labirinto verde

A primeira paisagem do Quilimanjaro, a floresta tropical, consiste numa vegetação luxuriante, com árvores cobertas de musgo e fetos gigantes que, paradoxalmente, fazem lembrar os do Buçaco.

Domingo, Novembro 06, 2005

As torres do Quilimanjaro

Não, não é um monte de lama esculpido pela chuva, mas um edifício laboriosamente construído por formigas.

Sexta-feira, Novembro 04, 2005

Felizes caminhando na lama

A floresta tropical é a primeira das quatro paisagens que o Quilimanjaro oferece. Um pouco atrás de mim vai Lawrence, assistente da expedição. O bastão de caminhada que seguro pode parecer estranho, mas é muito apropriado para subir um caminho enlameado. Nesta altura estava a pensar que, afinal, umas polainas davam jeito.

Quinta-feira, Novembro 03, 2005

Distribuição de cargas

Por lei, os montanhistas só podem entrar no Parque Nacional do Quilimanjaro integrados num grupo com guia e carregadores. O limite de carga para cada carregador encontra-se fixado: 15 quilos. É um modo de garantir a sua integridade física e de aumentar oportunidades de emprego. Cada montanhista deve levar consigo uma pequena mochila com objectos pessoais: máquina digital (a minha pifou depressa), dinheiro e documentos, papel higiénico, biscoitos ou bolachas, etc. O meu bloco de notas ia num bolso das calças ou do casaco. Também levava lápis e afia.

Do lado de dentro do muro

O muro de cimento que ladeia os portões da rota Machame tem algo de misterioso. A sua utilidade é mais do que discutível, pois termina abruptamente ao fim de umas centenas de metros, sendo facilmente contornável. A sua função é antes de mais simbólica: quem o atravessou vai subir a montanha. A bagagem de jipes e carrinhas é descarregada. As viaturas encontram-se no ponto de chegada e os montanhistas no ponto de partida.

Quarta-feira, Novembro 02, 2005

Registo

Todos os montanhistas têm de preencher um livro de registos, primeiro à entrada de cada rota e depois em cada acampamento. Os dados repetem-se e são bastante completos: nome, nacionalidade, nome do guia e da companhia, profissão, número de passaporte.

Terça-feira, Novembro 01, 2005

As portas do Quilimanjaro

Uma das entradas para o Quilimanjaro, a da rota Machame. Do outro lado do portão, acumulam-se os homens tentando ganhar dinheiro com apetrechos vendidos à última da hora: chapéus, lenços, polainas, bastões de caminhada, coberturas destinadas à protecção das mochilas da chuva, etc. Chamam pelos montanhistas que aguardam na fila para escrever o registo obrigatório. Os preços são regateáveis. Com sorte, um deles ainda é contratado como carregador.